A falta de conscientização é o maior inimigo do cooperativismo
Cooperativa é uma associação autônoma de pessoas que se unem voluntariamente para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns. Esta união se dá por meio de uma empresa de propriedade coletiva, gerida democraticamente.
Uma cooperativa deve basear-se em valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, eqüidade e solidariedade. Neste cenário, a infidelidade não encontra espaço.
Para que uma cooperativa obtenha sucesso, é necessário que todos os associados compreendam o sentido da coletividade e batalhem, juntos, pela vitória. O cooperativismo não se constrói com atos isolados. Neste grande time, é preciso que todos vistam a camisa.
Nos últimos anos, a deslealdade e a falta de compromisso de alguns cooperados para com suas sociedades vem se tornando um problema para as organizações cooperativadas em todo o mundo. A principal constatação é a da existência de cooperados “caronas”, que desfrutam dos benefícios gerados pela cooperativa sem arcar, proporcionalmente, com os custos e as responsabilidades da entidade. Pelo seu comportamento oportunista, este tipo de associado – oposto do cooperado ideal – é indesejável para o sistema.
JOGANDO CONTRA
“No caso da Cooper, por exemplo, um cooperado que divide produção, entregando parte dela a uma empresa concorrente, está jogando contra a sua própria cooperativa”, afirma o diretor-presidente da entidade, Benedito Vieira Pereira. Pelo estatuto da Cooper, é dever do associado entregar para a cooperativa toda a sua produção de leite, de todas as suas propriedades, deduzindo apenas o necessário para o consumo de sua família, de seus empregados e dos animais.
A exigência da exclusividade no fornecimento do leite não é sem razão. “A cooperativa tem um mercado consumidor estável e precisa manter uma produção compatível para atender a demanda”, explica o cooperado Alcides Barbosa de Freitas, colaborador da Cooper.
Ele ressalta ainda que, ao fornecer parte do leite a outra empresa, o associado estará infringindo outra cláusula do estatuto, que determina como dever de todos não exercer atividade concorrente com a da cooperativa. “O cooperado que entrega leite para outra empresa, ou o vende por conta própria, está concorrendo com a Cooper”, acrescenta Alcides.
O não cumprimento de qualquer dos deveres determinados pelo estatuto é motivo para a exclusão do produtor do quadro social da entidade, sem direito a readmissão.
SERVIÇOS E PRODUTOS
Seguindo o ideal de fortalecer a classe produtora, a Cooper também sempre buscou agregar serviços e produtos ao negócio principal, os quais devem ser prestigiados por todos. “Quando um cooperado adquire, por exemplo, medicamento veterinário, ração ou sal mineral de empresas particulares, está favorecendo a concorrência e sendo desleal com a Cooper”, afirma o diretor de produção Evélio Santos Sanches.
A Cooper construiu uma moderna fábrica de rações – que hoje é balizadora de preços no mercado – para oferecer aos associados concentrados de qualidade e a bons preços. A empresa também disponibiliza lojas agropecuárias próprias e um supermercado, que devem contar com a preferência de escolha do produtor. Prestigiando os serviços e produtos da sua cooperativa, o associado ganha duas vezes, já que o resultado de toda a atividade comercial da empresa é dividido entre todos os seus sócios.
“As cooperativas que alcançaram sucesso ao longo destas sete décadas de cooperativismo no Brasil são aquelas que conseguiram reunir o maior número de cooperados conscientes do real objetivo do cooperativismo”, analisa Benedito Vieira. “É fundamental entender que, apesar de sermos muitos, somos todos donos da cooperativa e precisamos, todos, vestir a camisa na defesa e no fortalecimento da nossa entidade.”
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