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Aftosa: alerta para o Brasil

O criatório nacional foi surpreendido com o aparecimento, no estado de Mato Grosso do Sul, após muitos anos, de um foco de febre aftosa. Sem dúvida, o prejuízo para a pecuária nacional será incomensurável, bem como para a balança comercial do País.

Esse episódio deve servir de alerta para os nossos governantes que, ao invés de jogar a culpa no produtor, de maneira generalizada, deveriam estar cumprindo o seu papel de fiscalização das nossas fronteiras, do rebanho nacional e dos produtos alimentícios de forma geral.

Jamais o bom produtor – que deve se constituir na grande maioria dos produtores deste País – poderia investir-se do “poder de polícia” para vigiar seus próprios vizinhos. Esta atribuição deve ser exercida unicamente pelo Estado.

Nossa grande preocupação é se este alerta servirá para que nossos governantes consigam criar e manter uma estratégia capaz de recuperar a grande perda que teremos até que os efeitos desta crise sejam superados. Tudo o que se economizou até agora em investimentos na fiscalização será muito pouco para cobrir os prejuízos do estrago que já está feito.

O Governo Federal, bem como nossos governos estaduais, precisam se convencer de que, em termos de controle de sanidade, estamos muito aquém das necessidades da pecuária brasileira. Esta é uma geração em que poucos pecuaristas conheceram o que é, na prática, o problema da febre aftosa. Não podemos retroceder. Por isso, é urgente que se mudem as formas de fiscalização e prevenção do sistema de vacinação dos rebanhos contra a febre aftosa.

É um absurdo que nos dias de hoje ainda seja utilizado o papel – notas fiscais – ou o vidro vazio da vacina para comprovar vacinação. São formas ultrapassadas de controle. Hoje temos condições de comprovar a vacinação por meio de amostragem de sangue de parte do rebanho. Além disso, já é hora de serem aplicadas penas ainda mais rigorosas contra aqueles maus pecuaristas que não cumprem a obrigação de manter o rebanho vacinado.

Maior ainda é a nossa preocupação com o produtor informal, que não está vinculado a nenhuma cooperativa ou empresa formalizada. Este, então, não sofre nenhum tipo de fiscalização. Somente uma estratégia mais ampla poderá abranger esse tipo de produtor. Caso nada seja feito para fiscalizar também os informais, bem como nossas fronteiras, os riscos para toda a pecuária nacional continuarão sendo grandes.

Que o governo, portanto, cumpra seu papel de agente fiscalizador. É o mínimo que ele pode fazer neste momento em que o produtor brasileiro correspondeu plenamente ao esforço de aumentar a produção e as exportações do País para garantir um bom resultado em nossa balança comercial. Como sempre, o governo ficou devendo. Que isto não se repita, é o que todos esperamos.

Benedito Vieira Pereira
DIRETOR-PRESIDENTE


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