O consumidor brasileiro precisa mesmo ficar sempre atento. Depois do alerta sobre as imitações de requeijão que existem no mercado, é a vez da margarina ocupar o centro das atenções. Este produto, que em geral é comercializado com o apelo de ser mais saudável que a manteiga, na verdade pode ser muito mais prejudicial à saúde do que a sua “concorrente”, dependendo do processo de produção utilizado.
O alerta vem dos Estados Unidos. De acordo com um artigo publicado pelo fisioterapeuta e pesquisador em nutrição Dane Roubos, um dos processos utilizados para elevar o ponto de fusão do óleo na fabricação da margarina, chamado hidrogenação, é o responsável pela transformação das gorduras em ácidos graxos trans, indesejáveis para o consumo. No organismo humano, esses ácidos graxos trans desorganizam o mecanismo normal de eliminação do colesterol, aumentando a concentração do mau colesterol (LDL) e diminuindo a do bom colesterol (HDL).
Segundo o pesquisador, as gorduras trans provocam efeitos piores na saúde do ser humano do que o excesso de gorduras animais saturadas. Além de desajustar o processo de eliminação do colesterol, elas aumentam os hormônios pró-inflamatórios do corpo e inibem a produção dos tipos antiinflamatórios. Resultado: o organismo fica mais vulnerável a condições inflamatórias, que custam a sarar.
· AS PESQUISAS NO BRASIL
O assunto também já foi estudado no Brasil. Pesquisadores das faculdades de Química, de Biociências e do Instituto de Geriatria e Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) analisaram a concentração de ácidos graxos trans nas principais marcas de margarinas vendidas no país. Foram estudadas 21 margarinas comerciais, das quais sete apresentaram baixa concentração do ácido, entre 4% e 6%, oito entre 13% e 29%, e seis com até 36% (concentração considerada alta). “A porcentagem ideal de ácido graxo trans seria zero”, lamenta o químico André Arigony Souto, um dos responsáveis pela pesquisa.
Nos Estados Unidos a questão gerou tanta polêmica que uma lei obrigou as empresas a divulgar nos rótulos a quantidade de ácidos graxos trans contida nas margarinas. Preocupados com a “debandada” dos consumidores, os fabricantes estão preferindo mudar o processo de produção da margarina.
No Brasil, ainda não existe legislação a respeito, ficando exclusivamente a critério do consumidor a opção pela manteiga ou pela margarina.
· GORDURA TRANS É PREJUDICIAL À SAÚDE
Em seu artigo, o pesquisador Dane Roubos faz algumas afirmações ainda mais severas sobre a margarina. Veja:
1) A hidrogenação passou a ser muito usada [na fabricação da margarina] porque este tipo de óleo não se estraga nem fica rançoso tão depressa quanto o óleo comum e, assim, tem uma vida de prateleira maior. Você pode deixar um cubo de margarina exposto durante anos e ele não será atacado por fungos, insetos ou roedores. Ao contrário do que muita gente pode pensar, isto não é uma qualidade do produto, mas uma característica preocupante.
2) A influência das gorduras trans sobre o equilíbrio das prostaglandinas também pode provocar mudanças nas reações alérgicas, na pressão sangüínea, na coagulação, na atividade hormonal e na função imunológica.
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