Mensagem - É tempo de planejar
De alguns anos para cá estamos assistindo, cada vez mais espantados, à brusca mudança que o clima vem sofrendo em todo o mundo. Secas prolongadas, chuvas torrenciais, inundações de grandes áreas, enfim, estamos todos sendo “avisados” de que novos tempos chegaram para as mais diversas atividades humanas.
Uma das atividades mais dependentes de fatores climáticos é a agropecuária. Já estão distantes os tempos em que nós, produtores da região do Vale do Paraíba, mantínhamos com orgulho rebanhos de sangue de raças puras européias, principalmente a holandesa.
Devido às alterações climáticas – que agora estão se intensificando – fomos sendo convencidos de que os rebanhos bovinos localizados em áreas mais quentes deviam se adequar a essas condições de calor. Daí a tendência de substituição dos exemplares puros por outros de sangue cruzado, notadamente com a raça zebuína.
Quem já cuidou desta adequação não tem de que reclamar. Na verdade, um rebanho com grau de sangue composto com parte de raças zebuínas e parte de raças européias está se mostrando mais resistente, mais rústico para suportar as dificuldades de clima quente e úmido e terreno de topografia acidentada, ao mesmo tempo em que não perde as características leiteiras exigidas para tornar o negócio rentável.
Portanto, caro cooperado, se você ainda não pensou mais detidamente neste assunto, sugiro que o faça. O Departamento de Assistência Veterinária e Agronômica de nossa Cooperativa possui um quadro de profissionais altamente qualificados para lhe mostrar o melhor caminho a seguir, de forma a adequar o rebanho para as suas reais condições de manejo e de acordo com os novos tempos que estamos vivendo.
Tudo isso mostra o quanto é importante o planejamento em nossas atividades. Planejamos para não sermos pegos de surpresa diante de novos acontecimentos, planejamos para não ficar para trás diante dos avanços da tecnologia, planejamos para produzir cada vez mais o que o consumidor deseja consumir. Este é o caminho a seguir.
Agora mesmo estamos observando tendências positivas para o mercado do leite no Brasil. Isto, apesar de todas as dificuldades que a subvalorização do dólar está nos causando. Uma das boas notícias é o fato de o governo brasileiro estar começando a jogar mais duro diante da competição desleal que alguns mercados, como a Nova Zelândia, exercem contra os lácteos produzidos no País.
Caso consigamos evitar a concorrência desleal desses países, que subsidiam vergonhosamente sua produção para concorrer em mercados nos quais não existe subsídio oficial para o produtor, este será um bom início para a recuperação da pecuária leiteira brasileira.
Além disso, é possível sentir alguns sinais positivos em relação ao próximo período de seca. Um aumento na procura por leite nos próximos meses irá, certamente, fazer o valor do produto subir no mercado. É o que esperamos. E, vindo isto a ocorrer, devemos estar preparados para responder à maior procura com um rebanho adequado aos nossos custos e às nossas condições climáticas e de manejo. Portanto, é tempo de planejar, mantendo os pés no chão mas com os olhos sempre voltados para o futuro.
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